A guerra inacabada

[Artigo de opinión de Óscar de Lis]

As correntes existem porque visibilizam o agrupamento da opinião das pessoas. Por essa via, inclusive dentro dos partidos políticos, é perfeitamente legítima a posição de quem desde uma corrente se oponha ao modo de fazer das outras. Mas a situação no interior do BNG está fora de controlo. Durante estas últimas semanas, o militante e o simpatizante tiveram que ouvir insultos, acusações e outras maravilhas entre companheiros de formação que nem sequer se dedicam aos verdadeiros inimigos do país – não por acaso no poder graças à queda de um Bloco dirigido em grande parte por esses que já não querem denominar-se mais “quintanistas”. Tivemos mesmo que assistir aos relatos paranóicos de companheiros que queriam renovar o BNG e que topavam sinais da ditadura da UPG por toda a parte, abrindo espaço para conjeturas insanas e para calúnias, e divulgando publicamente a vida interna da formação num cenário social de acosso ao Bloco e ao nacionalismo galego em geral. Tivemos que ler acusações contra os companheiros eleitos democraticamente polo conjunto da militância. Tivemos que assistir a expressões do tipo “disputar-lhes metro a metro o território” como se se tratar de uma guerra de trincheiras e posições em lugar de se tratar de uma construção comum do projeto. E até temos hoje que ouvir os derrotados a se laiarem polo pluralismo perdido quando foram eles que puseram acima da mesa, pola primeira vez, este sistema de votações que eliminava a possibilidade de realizar candidaturas conjuntas sem antes disputar as totalidades num exercício de verdadeira cobiça e de verdadeiro monolitismo.

E já não vamos falar da alternativa da cisão que começa a enviar-se para o público, minorando ainda mais a credibilidade do projeto, porque depois de tudo, apenas uma cousa se pode concluir com rigor: o modo como o processo se realizou resulta ridículo e o espetáculo das acusações cruzadas e das sugestões envenenadas só pode qualificar-se de insulto ao público – que não é apenas interno. Agora resta o processo das vilas e mais uma advertência: se, depois de todo o visto, o que somos apenas é uma caterva de criançinhas a pelejar por uma cadeira, dificilmente vamos convencer o país.

Óscar de Lis

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